muitas vezes sinto a curiosidade de saber o que é realmente ouvir a minha língua por quem não a conhece e quem não a percebe. sentir o mesmo que sinto, o mesmo fascínio, a mesma beleza que sinto quando oiço alguém falar algo que não entendo, e mais do que tentar apanhar as palavras, tento ouvir os sons, tento ficar com eles, faço das palavras e dos sons das palavras, música, música como a que oiço.
ontem a ver o ‘partir’, a única coisa boa dele que aproveitei foi voltar a ouvir o catalão, e perceber isso. ter uma ideia bem próximo do que é ouvir português e não perceber. os mesmos sons, os mesmos movimentos da língua, da boca, em palavras diferentes, em sons parecidos, a mesma música.
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2 Comments
meu monhé,
as línguas são fascinantes. mais do que o som, a estrutura, a diferença. como os nossos cérebros latinos compreendem a linguagem de forma, estrutura diferente dos eslavos, por exemplo.
uma vez ouvi basco e senti isso que sentiste, com o acrescento de nem saber conseguir identificar se era uma língua eslava ou do norte, muito estranho.
há uns dias vi aquele vídeo do saramago. e na altura pensei em como ele dava um som bonito ao português. e gostava agora de ouvir algo em catalão, história, excerto, algo. com aquele qualquer coisa do tom da voz do saramago.